quarta-feira, 31 de julho de 2013

ass: sentimental

Se me permite, tenho que palpitar sobre essa sua mania de ser tão analítica. Não vive um só momento sem chegar ao meio com seus questionamentos perturbando a minha diversão. Vive com um pé atrás, com medo de se entregar... Eu não entendo. Também não sei como podemos viver dentro de um mesmo corpo sendo você tão diferente. Chega a ser grossa. Não derrama uma lágrima, não perde o fôlego, nem solta o riso.
Dura. Feito pedra ranzinza esquecida por todo mundo.
Achei a definição perfeita pra você! Pedra! Aliás, que função tem uma pedra? Entrar no sapato? Incomoda, atrapalha, obstrui. E se lançada com muita força pode ferir. É desconfortável, não da pra apertar e ta sempre com o mesmo jeito entediado e estático.
E é assim que você se comporta. Prática, observadora, insensível e objetivamente chata.
Eu que sou romântica, fico espremida e só posso dar uma espiadela no mundo nos seus acessos de criatividade. Porque aí pra você, nas suas palavras, não soa tão patético. Mais arte do que sentimento.
Fico louca e quase sufocada pra poder dizer certas coisas, demonstrar o que sinto e o que penso, e o máximo que consigo é um poema, uma música. E aí a insuportável faz o quê? Esconde das pessoas! Não é mole...
Às vezes você me deixa ouvir músicas que falam de amor. Às vezes posso ver filmes de romance. Mas se me distraio te vejo mostrando a língua ou torcendo o nariz pra certas declarações. Eu gosto. Você detesta. Paciência...
Uma coisa eu tenho como trunfo: você é terrivelmente esquecida! Se perde no meio de nós e esquece de controlar tudo... E aí eu me divirto! Fico cantarolando, danço no meio da rua e gargalho alto. Quando você percebe já é tarde demais...
Nessa constante troca de dividir as rédeas da nossa vida, seguimos confundindo o que e quem nos cerca. Pra nossa sorte, achamos alguém que se diverte e ama todos os primas desse inteiro. E ela é assunto que causa unanimidade por estes corredores bagunçados.
Nisso nós concordamos: que sorte...

domingo, 28 de julho de 2013






Somos como a mudança do dia para a noite.
Distingui-se bem o laranja do azul nas extremidades.
Porém se misturam no meio de tal forma que não dá pra dizer com precisão onde um começa e o outro termina.



Na ânsia de ser quem sou, acabo sendo tantas que estas tantas falam por mim aos tropeços.
Gritam juntas, se atropelam e confundem a mente alheia.
Muitas vezes sequer querem ser ouvidas. Apenas notadas.

Ponte

Chega um dia em que a gente deixa de rir por qualquer coisa. Uma dança desengonçada, um palhaço que mais cai do que anda e sons esquisitos não nos arrancam mais sorrisos.
Deixamos de ver magia em pessoas fantasiadas, material reciclável não mais nos distrai e os desenhos animados não são tão interessantes.
Queria saber qual o exato momento em que começamos a nos enxergar. Sim porque, quando somos crianças, a alma está dentro do corpo e não se vê. Fazemos caretas, choramos escandalosamente e nos sujamos completamente. Sem nos importarmos com o local, as pessoas, com o que vão pensar...
Entramos num restaurante de luxo cobertos de barro sem o menor problema.
Somos escancaradamente felizes, sem pensar com que cara essa felicidade irá nos deixar.
Queria saber quando é que a gente deixa de correr sorrindo.
Quando para de abraçar os familiares sem motivo.
Quando não mais sorri ao se olhar no espelho.
A linha tênue entre:
- Só mais um pouquinho?
e
- Estou atrasado.

Olho



Uns dizem que sou o cão chupando manga.
Outros, um copo de suco de manga gelado em um dia ensolarado.
Pra uma parte sou a inconveniente manga comprida no verão.
Pra outra, a própria sombra da mangueira.

O que eu sou ninguém sabe.
Apenas uma conclusão:
O que determina é o olho que vê.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Parênteses

Preciso desabafar sobre um assunto.
Parece que uma parte da população da minha cidade natal está se remexendo nos seus sofás por causa de um assunto: hospitais psiquiátricos (e o que acontece lá dentro). Há quem levante a bandeira de que tais hospitais devem ser fechados. Será que essas pessoas já pisaram em um? Não estou dizendo que é o melhor lugar do universo, longe disso. Mas existem pessoas que moram lá desde que nasceram. Não tem ninguém do lado de fora esperando por elas e nem a mínima noção de como é estar desse lado. Nas muitas vezes que estive no Mental (que ocupa o segundo lugar no ranking de mortes, segundo o Flamas) nunca vi o horror retratado por aqueles que defendem uma revolução no tratamento psicológico. Neste ponto, concordo. Existem muitas coisas que devem ser modificadas. A área precisa de mais profissionais, estruturas melhores e um controle mais incisivo naquilo que é feito dentro de locais deste porte. Porém, e este é um porém significativo, não é fechando as portas destes hospitais que resolveremos os problemas. Ao invés disso criaremos muitos outros. Uma família não possui estrutura física e psicológica para tratar crises de doenças como a esquizofrenia, por exemplo, como é o caso da minha. É horrível ter que internar alguém em um lugar como aquele? É. Mas é como diz o ditado: ruim com ele, pior ainda sem. Se a luta for para capacitar os profissionais, chamar a atenção do governo para a situação, buscar fundos para reformas, contratação de mais pessoal, eu apoio sem sombra de dúvidas. Mas fechar os hospitais como forma de resolver é tão absurdo quanto fechar os olhos imaginando que assim o que não queremos ver irá sumir. Existem pessoas que moram lá há anos, como já disse anteriormente. Se no caso da minha avó, que tem pra onde ir, tem uma família, já é difícil, imagine pra quem não tem? Para as famílias é desesperador. Não há remédios suficientes, em crises da doença a pessoa pode machucar física e emocionalmente à ela mesma ou alguém que ame. E o horror quando elas ''acordam'' e percebem o que fizeram é de cortar o coração. Para quem não possui uma família, eu pergunto, qual será a solução. Jogar nas ruas? Transferir para outras cidades? Ora, não faz o menor sentido. Hospitais psiquiátricos já foram cenários de absurdos sim, também acompanhei essa fase. E hoje em dia também não mudou completamente. Mas é isso que estou dizendo, as mudanças precisam urgentemente acontecer, porém o tratamento deve existir. Deve ter gente que nem sabe que no Mental as internas nadam na piscina, saem para dar passeios, ganham presentes, fazem terapia ocupacional, entre tantas outras coisas. São maltratados? Em alguns casos, pode ser que sim. Afinal, existem milhares de hospitais e milhões de casos. Pra quem acha absurdo, só peço uma coisa: passe uma noite no Hospital Regional, na ala psiquiátrica, em que os pacientes dormem dias e esperam com seus acompanhantes por uma vaga em uma Clínica. É assustador. Estes pacientes estão lá porque chegaram no limite do que a família suporta. Agressivos e com uma força fora do comum. Não aprovo de maneira nenhuma as práticas que eram realizadas antigamente, os choques e todos aqueles horrores que conhecemos. Mas as vezes a força precisa ser usada. É doloroso, é sofrido, porém se não for assim eles podem machucar a si e a outros pacientes mais debilitados.
Existem pacientes com todo o tipo de enfermidade: mudos, surdos, cegos, que não se movimentam. E também existem os que andam, gritam, batem, xingam, são fortes. Como conciliar? Não é fácil, existem milhões de coisas a serem consideradas. Mas aí eu digo: vamos fechar os hospitais! Que lógica é essa? Querem melhorar a saúde mental das pessoas ou ''livrar'' nossa cidade dos hospitais só pra ter como dizer: ''aqui não temos disso mais!". Temos que pensar nas pessoas. Nos cidadãos que moram dentro desses corpos e que apesar da doença sentem, pensam e sofrem. O hospital não tem sido a melhor opção mas é a única e bem ou mal cumpre seu papel. As enfermeiras e recepcionistas do Mental demonstram carinho pelas internas o tempo todo. Por todas elas, sem exceção.
Não é fácil manter as coisas no eixo com pouca atenção das autoridades para o caso. Esse dinheiro que vai aos montes para os bolsos alheios deve ir para o que precisa e esse é um exemplo. Vamos olhar para essas pessoas, para as famílias, para os profissionais e para o hospital em si. Conhecer as suas fraquezas e tentar ajudar. Colocar um pano por cima não vai tornar a situação mais bonita visualmente. Ou pode até ser que torne mas estamos falando de pessoas e não de objetos. Pessoas velhas e novas. Algumas com 18 anos e a vida toda pela frente. Tirar delas a chance de se recuperar e estudar, trabalhar, formar uma família, ou mesmo morrer em paz, em casa, seria crueldade sem tamanho, já pensou nisso? Maior ainda que os choques de outrora.

terça-feira, 16 de julho de 2013

De quem tem medo do escuro

Quando eu te abraço todas as luzes se apagam.
A angústia vira paz. A tristeza, calmaria. O desespero é inundado pelo amor.
Achei meu lugar no mundo, meu lar.
Onde me sinto confortável e tranquila. Onde posso respirar e suspirar, fugir e me encontrar.
Um espaço aonde eu posso ser só um ser só, mas que encontrou seu pouso.
Você se transformou na minha casa.
Eu não preciso mais de paredes, teto ou chão. Apenas dos teus braços, olhar e colo. Eles me bastam.
Pra esperar as tempestades passarem, descansar a euforia dos dias em que transbordei felicidade, ou somente sentir o teu cheiro e confirmar que não há melhor no mundo.
E também não há outro lugar onde eu queira estar.
Me basta você.
E eu posso fechar os olhos e saber que tudo vai ficar bem.
Meu poço de confiança e amparo.
É tanta a certeza de que eu estarei a salvo,
que quando eu te abraço, todas as luzes se apagam.

E não existe medo algum.

segunda-feira, 15 de julho de 2013



"Ela é tão linda! Não me canso de olhar pra ela. Não me preocupo se ela é mais inteligente do que eu: sei que é. É engraçada sem nunca ser má. Eu a amo. Sou muito sortudo por amá-la."

— A Culpa é das Estrelas.


Eu e o João



João-de-barro, que tem esse jeito manso, leve e poético, também é ciumento possessivo. Sufoca com carinho e quer que o seu bem fique sempre no ninho, quietinho.
Quando se ama, a tendência é agir como ele, e guardar num coração de barro a sete chaves a pessoa amada. Mas é necessário conter o ímpeto para que algo tão valioso não venha a morrer sem ar.
Expliquei ao meu amigo, volátil apaixonado, que não é assim que se faz.
Sei que parece clichê, mas veja só, tem gente que ainda não conseguiu captar.
Deixar um amor livre (ainda) é a melhor maneira de fazer com que ele queira ficar.

domingo, 14 de julho de 2013

Gota d'água

Ele pisou duro no chão, prometendo a si mesmo nunca mais voltar aquele lugar. Seus passos eram tão difíceis de ser dados, que era como se carregasse chumbo: O peso da amargura.
Anos e anos de decepções agora eram digeridos da pior forma.
Caminhou como numa marcha fúnebre, rumo a um hotel qualquer do centro daquela cidade suja. Todo o cenário era por ele ignorado. As pessoas ao redor não passavam de borrões distorcidos.
Ao chegar no quarto, olhou-se no espelho. As pálpebras pesadas caíam, como se implorassem para se fechar de uma vez por todas. Os cabelos já não faziam questão de se manter organizados. Eram pincelados pelo branco que sinalizava todas as estações que viu passar.
Todos que haviam o ferido estavam presentes nele. Em cada uma daquelas rugas.
Lavou o rosto com raiva, como que para expulsá-los. Queria que suas marcas fossem apenas obra do tempo e não reflexo de dor. Porém não era possível.
Colocou na mala cada 'não' que já havia ouvido e todas as vezes que o fizeram de otário.
Não chorou, não mais.
Ergueu a cabeça, ciente de que aquele ponto final era definitivo.
Sem retorno, não desta vez.
Deixou o hotel com andar decidido. Foi até a sua antiga casa.
Viu nas paredes manchadas tudo o que fazia força para esquecer. Corredores inundados por antigas mágoas, maçanetas que ainda esperavam por alguém que não viria.
Perambulou pelos cômodos vazios pela última vez, e saiu.

Enterrou no quintal, a sete palmos do orgulho, tudo o que um dia foi capaz de amar.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Eu e você pra sempre

A ansiedade me faz querer gritar. As meninas que me ajudaram quando me vesti, tentam fazer com que eu fique calma. É inútil. Ando de um lado pro outro, pensando se todos os detalhes estão prontos. Tento cantar. Paro. Recomeço. Ando outra vez. Me deixam sozinha.
Começo a me lembrar da primeira vez em que te vi. Quando senti todas as células do meu corpo se aquecendo. Meus olhos sendo roubados pelos seus. Cada gesto me conquistando aos poucos. O dia em que você me beijou. Quando me pediu em namoro e eu não respondi. Quando disse que se apaixonou e eu respondi que já sabia. Como eu fui amando cada detalhe seu. Te admirando cada vez mais. Me lembrei dos nossos aniversários, dos apertos, dos dias felizes e das barras mais pesadas. As conquistas e as lágrimas que dividimos. Os dias exaustivos que eram esquecidos ao te ver. O suspiro que me aliviou desde a primeira vez que segurou a minha mão e disse que estaria comigo pra sempre.
Minhas lembranças são interrompidas por batidas leves na porta. Chegou a hora.
Tudo é exatamente como eu sempre sonhei. As flores são brancas e vermelhas. O vestido é aquele que eu escolhi quando ainda tinha 17, vendo aquele programa que era um dos meus favoritos. Branco. Uso batom vermelho e estou radiante, emitindo raios ultra-felizes ao sorrir.
Agradeço mentalmente por ter escolhido um local aberto. A espera me faz delirar. Um local fechado não comportaria tamanha felicidade. Todos que nos amam estão ali. Eu não consigo chorar, apenas rir, até sentir a mandíbula doer.
Então eu te vejo, esperando por mim. Carregando lágrimas de extrema felicidade, já com as bochechas vermelhas de tanto chorar. Rio pensando que já imaginava que seria assim. Soube que seria eu a sua interrogação desde o início. E caminho até você, a pessoa mais linda deste mundo. Rumo ao primeiro dia do resto de nossas vidas.
Quando finalmente é declarado, eu e você pra sempre, nos beijamos. Sorrimos e nos olhamos por segundos que parecem uma eternidade. Um vislumbre de tudo o que passou e virá.
Vou até os músicos. Vou tocar pra você, como sonhado e prometido anos atrás. Mais lágrimas e sorrisos. Você não aguenta e vai até mim.
Depois da festa, de comemorar com os nossos amigos, pegamos o carro e a estrada. Estamos indo para algum lugar ensolarado, cantando à plenos pulmões.
Agora somos um só ser, porém 200%, como você sempre disse.
Em mais uma existência.
Queria ser atriz, pra aproveitar a deixa do meu nome. Mas se não tenho nem coragem pra falar com uma só pessoa, imagina uma platéia.
Queria cantar alto, e queria também que a minha voz fosse ouvida de longe. Forte, aguda, incisiva. Mas só consigo ser mansa. Chegar devagar.
Queria dançar marcando bem cada passo. E rodar como peão, crianças num carrossel, roda gigante. Mas eu fico tonta só de imaginar.
Queria cozinhar como um chef do El Bulli. Saber de cor receitas.
Memórias,
Todas as canções e acordes,
Lembretes.
Queria te olhar nos olhos pelo tempo que quisesse. Quando posso, não consigo. Quando quero, não mais posso.
Queria te guardar no coração como quem guarda relíquias em um baú. E ter as suas cores em escala. Pintar toda uma casa com elas.
Queria te escrever os mais belos poemas. E compor as melodias mais inesquecíveis.
Mas eu sou somente uma menina. Nem atriz, nem cantora, nem dançarina.
Eu não me lembro de nada.
Escondo-me em notas e letras.
Sussurro e sempre, sempre tenho medo.
Não me entendo, caio, me perco. Fico querendo ser de outra forma.
Queria extrair de você um pouquinho dessa poesia.
E ser mais leve, pra poder viver integralmente tudo o que me proporciona.
Me permitir respirar bem fundo essa felicidade.
Deixar que me falte o ar.
Quando você sai, me pergunto se te amo.

Quando volta eu não sei como pude duvidar.

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