sábado, 9 de maio de 2015
Eu sei que é você
Uma borboleta azul, branca e preta caiu acidentada no meu quintal. Depois de aventuras e fortes emoções foi resgatada. Se abriu como uma flor e repousou na cadeira para descansar e se recuperar. Pude notar sua asa ferida, suspeitei que estivesse morta. Encarei-a por alguns segundos e ela bateu as asas para mim como se dissesse "estou bem". Sorri e a deixei em paz.
Depois de um longo período ela se levantou da cadeira e pousou no batente da porta, foi subindo devagar, decorando os riscos da madeira, conhecendo a casa. No fim da noite ela sumiu.
Saí de casa no dia seguinte e, quando voltei, lá estava ela na garagem. Provavelmente tentou ir embora mas não conseguiu. Mais um dia se passou e ela continua no mesmo lugar.
Seus olhos agora nada miram com certeza. Seu olhar é vago, transita entre o ontem e o agora. Você nos deu vários motivos para acreditar que aquela seria a última vez que a veríamos, no entanto, por alguma razão, nunca era.
Essa é a primeira vez que seu corpo não reluta mais. Que suas mãos não buscam a margem. Você permitiu que sua audição diminuísse, que se afastasse do mundo.
Agora vê seus antepassados mais perto, sente que ainda tem algo a resolver, mas está a cada dia menos teimosa. Seu coração começa a se acalmar e entrar em sintonia.
Eu sou a única com quem você ainda conversa. Sou o fio que te liga a este lado, sua conexão com suas preocupações e seu afeto.
Iremos, juntas e delicadamente, afrouxar nosso laço até que desate, por hora, e você possa sentir que pode adormecer.
Te levarei por onde eu andar.
Atenta às borboletas que você disse que seria.
Espero em paz o seu momento de alçar vôo.
E quando eu chorar será só saudade.
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Conto do absurdo
Não foi rápido, mas muita gente não teve tempo de perceber.
Ou não quis perceber enquanto ainda era tempo.
Depois de formar a bancada evangélica, alianças com a burguesia e a multiplicação acelerada de fiéis, o congresso foi tomado. A palavra laico foi até excluída do dicionário, por precaução, para prevenir que as futuras gerações sequer soubessem o que foi isso. Um exército foi criado.
Evidentemente, ateus, católicos, espíritas, umbandistas, e até alguns evangélicos lúcidos, tantos, muitos não aceitaram. Era tarde demais para querer qualquer coisa. Ela cresceu digna de um Megazord do Power Rangers. Montada de pernas de aço e um escudo que formava a palavra fé. Fé em quê? Ninguém sabia mais, mas era o que ditavam a televisão, os professores, as pessoas nos ônibus e padarias, se não se cumprimentassem com “a paz” haveria guerra, e das feias!
A população foi ficando cada vez mais assustada, havia medo de se declarar não-protestante, pois todos sabiam dos castigos e punições, das prisões por “evangélicofobia” e na intenção de se instaurar uma lei de queimada de bruxas em praça pública.
A Igreja Católica vendo aquilo enlouqueceu. Foi se deixar levar pelos anos e enfraquecer sua monarquia e agora assistia à tudo aquilo correndo de um lado para o outro, acuada e enfurecida.
Um dia marcaram um duelo no centro da capital do país. A beira de uma síncope gritou a indignada a plenos pulmões para a rival: “QUEM TE DEU AULAS NESSES ANOS?” E ela com supremacia e extrema satisfação respondeu: “Você! Nos livros de história!” e soltou uma gargalhada maligna e gélida, digna de um Mumm-Rá, Esqueleto, ou coisa que os valha.
Uma chacina sem tamanho se ocorreu daí. De um lado o desespero pelo rumo que as coisas haviam tomado, do outro a palavra de Jesus, a fé, os dez mandamentos, a Bíblia, os cânticos, a venda de indulgências, os jesuítas, a busca pela supremacia, a inquisição, a expansão territorial, o século XII... ... ... um momento.
Acho que me perdi na história.
Bem, o fato é que depois de fazer escorrer o sangue de toda a gente as duas explodiram num BUM!
E a Terra virou só silêncio e desolação.
Em nome de Jesus todos morreram sem sequer saber que ele lá em cima já tinha sofrido três infartos vendo tamanha insanidade.
Deus em seu lugar veio e juntou os pedacinhos da humanidade.
Fez uma prece silenciosa e disse:
Ou não quis perceber enquanto ainda era tempo.
Depois de formar a bancada evangélica, alianças com a burguesia e a multiplicação acelerada de fiéis, o congresso foi tomado. A palavra laico foi até excluída do dicionário, por precaução, para prevenir que as futuras gerações sequer soubessem o que foi isso. Um exército foi criado.
Evidentemente, ateus, católicos, espíritas, umbandistas, e até alguns evangélicos lúcidos, tantos, muitos não aceitaram. Era tarde demais para querer qualquer coisa. Ela cresceu digna de um Megazord do Power Rangers. Montada de pernas de aço e um escudo que formava a palavra fé. Fé em quê? Ninguém sabia mais, mas era o que ditavam a televisão, os professores, as pessoas nos ônibus e padarias, se não se cumprimentassem com “a paz” haveria guerra, e das feias!
A população foi ficando cada vez mais assustada, havia medo de se declarar não-protestante, pois todos sabiam dos castigos e punições, das prisões por “evangélicofobia” e na intenção de se instaurar uma lei de queimada de bruxas em praça pública.
A Igreja Católica vendo aquilo enlouqueceu. Foi se deixar levar pelos anos e enfraquecer sua monarquia e agora assistia à tudo aquilo correndo de um lado para o outro, acuada e enfurecida.
Um dia marcaram um duelo no centro da capital do país. A beira de uma síncope gritou a indignada a plenos pulmões para a rival: “QUEM TE DEU AULAS NESSES ANOS?” E ela com supremacia e extrema satisfação respondeu: “Você! Nos livros de história!” e soltou uma gargalhada maligna e gélida, digna de um Mumm-Rá, Esqueleto, ou coisa que os valha.
Uma chacina sem tamanho se ocorreu daí. De um lado o desespero pelo rumo que as coisas haviam tomado, do outro a palavra de Jesus, a fé, os dez mandamentos, a Bíblia, os cânticos, a venda de indulgências, os jesuítas, a busca pela supremacia, a inquisição, a expansão territorial, o século XII... ... ... um momento.
Acho que me perdi na história.
Bem, o fato é que depois de fazer escorrer o sangue de toda a gente as duas explodiram num BUM!
E a Terra virou só silêncio e desolação.
Em nome de Jesus todos morreram sem sequer saber que ele lá em cima já tinha sofrido três infartos vendo tamanha insanidade.
Deus em seu lugar veio e juntou os pedacinhos da humanidade.
Fez uma prece silenciosa e disse:
“Que vergonha vocês sempre me fazem passar!”.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Pra você
Olho em seus olhos por uma fração inacreditável de tempo, tão pequeno quanto sua pinta que adorna o rosto, e nesse instante sinto com toda a força como sou feliz em estar aqui, com você.
Vivemos já tanta coisa e eu guardo em mim tanto significado que já não é mais possível apagar seu nome da minha estrada.
Se a vida nos separasse, por algum desencontro ou infelicidade, sem pedir licença você continuaria sempre aqui. Compacta como és, caberia em qualquer canto, e por ser tão cheia de encanto, mesmo que por azar alguma mágoa houvesse ficado, suas marcas me impediriam de não amar você um pouco.
Te acho uma pessoa tão extraordinária que sei que em minha vida não haverá outro alguém igual. Nem se eu dissesse o contrário; jamais acreditaria em minhas próprias mentiras.
Pensei nisso hoje enquanto namorava o seu cabelo. Nesses segundos em que te olho e vago no teu vasto ser.
Você é tudo aquilo que me mantém próxima de mim, e eu gosto disso. Eu te amo como nunca achei que fosse capaz de amar. Com você há metamorfose, sou primitiva, sou luz, sou o que ninguém espera, sou eu e nenhum ponto a mais.
Te acho a pessoa mais bonita desse mundo, te admiro até sentir meu coração doer.
Te amar dói a dor de um parto. Daquela que se deseja, que explode em felicidade mas não deixa de ser aguda.
Nasce de mim uma emoção diferente a cada vez que ouço seu coração bater em meu ouvido.
Amar você foi e é, a coisa mais linda e mais difícil que já fiz.
Me sinto eufórica, na ponta do topo do mundo, prestes a transbordar, se você diz que sou capaz eu não duvido
Sinto que nasci pra te ver sendo feliz.
sábado, 20 de setembro de 2014
Flores de plástico
Quem quer ser flor de plástico pra se tornar imortal?
Deixar de ser, ver, ouvir e sentir pra viver imune à vida.
Que graça tem?
Vão-se as tristezas mas junto vai a alegria.
As dores de uma flor de pétalas e espinhos não existem, mas o brilho também não.
Todo rosto corado passa por um banho de lágrimas leitosas pra se hidratar. Sem a chuva preparatória o sorriso resseca no ardor do sol.
O beija-flor pode incomodar com carinhos roubados e inconvenientes mas quem trocaria sua beleza por um espanador de pó?
Flores de plástico acumulam poeira.
As outras se deixam voar junto com o vento.
Quem então escolheria ser flor de plástico pra ver o mundo passar da mesa de centro de uma sala vazia?
E eu respondo: muita gente.
Você certamente conhece, eu também, assim como já fui uma.
A gente acha que fugir da injeção é escapar da dor, e não percebe que assim se aproxima da doença. Troca a dor momentânea por uma maior.
Viver é a melhor maneira de aprender a viver. Encaremos a dor sentindo-a.
As flores de plástico são eternas. Porém solitárias em sua exclusiva existência que não ramificou.
Somos mortais, mas podemos dar frutos.
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
Tempo de chover
Nem sempre a gente quer alguém que nos console.
As pessoas tendem a acreditar que a atitude correta é enxugar avidamente as lágrimas do queixoso e dizer que no final tudo acaba bem, que todo mundo tem seus problemas e "bola pra frente".
Nem sempre.
Às vezes a gente simplesmente não está a fim de ser otimista. É necessário, e purificador, ter um espaço para tão somente desaguar.
Sem mais delongas e explicações, conformismos e frases de efeito.
Deixe que a minha mágoa escorra e corra livre pelos meus poros.
Que o meu cansaço seja escoado para que não me esgote.
Que seja sem jeito, irremediável, dolorido enquanto dure o infinito de uma crise. Uma seção de soluços, assoar de nariz e dor de cabeça.
Seguido de um suspiro e, só aí, o retorno à margem da razão.
Mas antes disso, por favor, deixe minha tristeza transbordar.
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Música: Morena
Já tenho algumas músicas de covers postadas no YouTube, mas essa, é minha. Minha cria, uma música que fiz e tenho muito carinho por ela pois é um marco do início da era da felicidade na minha vida. Pois bem, esta aí pra vocês. Em breve vou postar muitas outras, começando pelas já registradas... Hum... falei demais!
Conheçam o meu som, que diz muito sobre mim.
♡
segunda-feira, 16 de junho de 2014
O armário
Ele tem portas de vidro,
Porém mais frágil é meu coração.
Se eu assoprar nada acontece,
Mas uma palavra pode ser o fim
Ou o começo
Ou uma revolução.
Tem gente aqui dentro comigo
Tem gente lá fora gritando
E eu sei quem finge não existir.
Esse armário
Essa amarra
Esse amar
Esse ama
Ama ela
Ama sim.
Me dá a mão?
Não cumpra o que você promete a cada palavra chula
Apenas me ouça
Me ame
Me solte
Se desprenda
Aprenda comigo!
Me ensina mais sobre você
Me traz pra perto
Não quebra essa porta que ela é frágil
Porém não mais que meu coração
Abre com cuidado
Me deixa chorar
Me desagua
Aprende a gostar de mim
Assim
Assim.
Escuta meu coração
Escuta meu som
Coroa meu sim
Me tira da margem.
Se não der agora, eu espero
Saio devagar pra não doer tanto
Até o dia em que você quiser reler
E aceitar minhas linhas
E me dar a mão
A cabeça em pé.
Eu espero
Mas vou esperar vendo a luz do sol
Vou te mostrar que só é possível ser feliz
Sendo quem se é.
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