segunda-feira, 16 de junho de 2014

O armário


Ele tem portas de vidro,
Porém mais frágil é meu coração.
Se eu assoprar nada acontece,
Mas uma palavra pode ser o fim
Ou o começo
Ou uma revolução.
Tem gente aqui dentro comigo
Tem gente lá fora gritando
E eu sei quem finge não existir.
Esse armário
Essa amarra
Esse amar
Esse ama
Ama ela
Ama sim.

Me dá a mão?
Não cumpra o que você promete a cada palavra chula
Apenas me ouça
Me ame
Me solte
Se desprenda
Aprenda comigo!
Me ensina mais sobre você
Me traz pra perto
Não quebra essa porta que ela é frágil
Porém não mais que meu coração
Abre com cuidado
Me deixa chorar
Me desagua
Aprende a gostar de mim
Assim
Assim.

Escuta meu coração
Escuta meu som
Coroa meu sim
Me tira da margem.
Se não der agora, eu espero
Saio devagar pra não doer tanto
Até o dia em que você quiser reler
E aceitar minhas linhas
E me dar a mão
A cabeça em pé.
Eu espero
Mas vou esperar vendo a luz do sol
Vou te mostrar que só é possível ser feliz
Sendo quem se é.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Reclamações e sessão da tarde

Ah, como a gente nada sem saber que o destino é encalhar. Já faz tempo que me encontro na areia, completamente paralisada, analisando minhas numerosas decisões a serem tomadas, dilemas, sonhos e viagens sem nexo. A areia é metafórica, pois, se eu estivesse mesmo na praia, pelo menos estaria penando ao sol. Mas não, tudo o que me cerca são paredes e pisos brancos que urgem serem limpos diariamente. E patas, dentes, pelos caninos indo na contramão - um capítulo à parte.
Até escrever tem me custado. Minha criatividade está abalada, meu desânimo em alta. O que dizer sobre escrever quando até ir à padaria me cansa.
Hoje é meu dia de reclamar, sim senhores, pois eu também tenho este direito. Afinal, este ciclo de "não faço nada porque não consigo e não consigo porque não faço nada" é de matar. Psicologicamente, fisicamente... Estou acabada. Nem meus planos absurdos estão dando conta... Terrível.
Fico procurando um canto, vendo filmes repetidos e evitando os livros. Me arrasto pra lá e pra cá tentando me convencer de algo - qualquer coisa - : sem êxito. Invento tiques, não produzo, imito, me desespero e logo em seguida me desmotivo. Vou pensando em fórmulas pra sair de vez desde labirinto e ao mesmo tempo me perguntando quanto tempo vai demorar.
Aí já quero ser criança outra vez.
Ou envelhecer no rg o que envelheci nas pernas e na cabeça. Assim, num plim! acordar depois de uma bela avançada no tempo.
Veja só que ideia de gente que não tem o que fazer.
E lá vou eu pro meu armário, repetindo "30 a idade do sucesso". Tudo o que cai na minha cabeça é uma montanha de poeira e o único acontecimento extraordinário é uma avalanche de espirros.
 Continuo com 20, ferrada e sem perspectivas.
A vida não é sessão da tarde.
E, se fosse, o pó mágico me transformaria numa mulher de 30, ferrada e sem perspectiva.
Aposto.


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014


Quando as luzes iluminaram o céu, me deixando boquiaberta, eu agradeci pelo ano que passou ter sido tão bom. Nem nos meus melhores sonhos eu poderia imaginar como seria... Antes de pedir que o ano que se inicia fosse tão bom quanto o que passou, eu procurei buscar na memória o diferencial que tinha feito desse 2013 tão especial. Cheguei a conclusão de que nada caiu do céu. Eu tive que me esforçar, fazer escolhas importantes, e seguir o meu coração. Abri mão de várias coisas para que pudessem vir outras. Mais verdadeiras, mais leves. Descobri que o que faço de melhor é ser exatamente quem eu sou.
Eu não me deixei abater. Levantei quantas vezes se fez necessário e sorri.
Sim, a vida me trouxe pessoas incríveis e momentos inesquecíveis mas se eu não tivesse aberto as portas para a novidade, poderia ter sido bem diferente. Eu poderia ter jogado tudo fora. E depois no fim resumir os 365 dias passados como ruins.
É por isso que não peço nada além de força e sabedoria. Para aguentar os trancos da vida e saber tomar decisões acertadas. E se errar, aprender, consertar.
Que venham muitos desafios, começos, tempestades e gargalhadas! Eu estarei sempre pronta.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013


Eu sei que tenho essa coisa repetitiva de ficar te comparando com o mar. Mas é que ele sempre foi o que tiver de mais próximo da felicidade pura e genuína. Eu sentava na frente dele, olhava bem pro horizonte; até me sentir insignificante e absorvia toda aquela vibração contagiante. Era inundada de felicidade sem mais porquê.
Eu não sabia que era capaz de ver o mar em uma pessoa desta forma. Já comparei outras pessoas com certas características dele mas nenhuma era parecida em sua totalidade.
Olhando nos seus olhos eu posso ver o horizonte e me sentir insignificante e gigantesca ao mesmo tempo. Dormindo nos teus braços eu tenho o acolhimento do sol. Acordar e ter você ali, do meu lado, é a minha maresia. E eu conto aflita os dias pra voltar pras ruas com cheiro de sal. Pra colocar outra vez os pés na areia. Me deixar levar pelas ondas. Eu não vejo a hora de experimentar a viagem e me mudar de vez pro litoral. Num pra sempre convicto e de fato sem fim.
Sabe de uma coisa? Você não é só o mar, é a praia inteira. É o vendedor dos meus camarões. É o guarda sol. É a água gelada, o calor escaldante. É a solução da minha doença física. É o conforto da minha bagunça psíquica. Você é casas com portão de alumínio, biquíni, rosto queimado. Minha segurança, meu relaxo, a beleza estampada no meu rosto. Você é o dia de praia mais ensolarado de toda a minha vida. E nem que caia uma tempestade na minha festa -nem assim!- vou querer arredar o pé da sua beira.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Eu era erro e depois virei dois.
Eu me tornei encontro. Me joguei no meu primeiro e único querer.
E agora pro mundo eu não sou nem eu e nem dois.
Eu sou covarde e guardo tudo pra mim.
Eu sou esconderijo. Errando por vício de errar. Me escondendo da vida.
Tramando não me estrepar demais.
Sempre tramando.
E me ferindo por não ser eu.
Nem eu nem nós.
Nem nós pra poder ser só eu.
Sendo só poeira.
Sendo previsível.
Insignificantemente óbvia.
Traiçoeiramente contada.
Como quem conta com o dinheiro que vai sobrar e ele não sobra. Como quem confia no marido e se fode. Sou contada por todos os lados.
E não dou no final do mês.
E traio a confiança da minha esposa.
Ilusão maldita de liberdade.
Açoites invisíveis de culpa.
Rasgando a carne até abrir a brecha pra ver meus erros.
Rir das minhas histórias.
Aquelas que ninguém ouve.
Todas das quais ninguém quer saber.
Por onde o encontro me encobriu, feito duro casco de tartaruga. Inquebrável.
Entalhado de tão bonito e que mesmo assim eu escondo por baixo da roupa.
Talvez por ser bem mais bonito que eu. Por ter tanto mais a contar.
Invejo o que me veste hoje porque nunca tive atenção pra minha própria roupagem.
De tão transparente que fui a vida inteira.
Ironia ser junção tão colorida e as vezes me sentir  extremamente diminuta.

Vai saber que esquizofrenia é essa que me acompanha...

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Dentro

Das paredes escorrem amarguras
O assoalho grita abandono
Bocas murmuram, pés se arrastam
As mãos movem-se a esmo, ou amparam a cabeça já pesada
Ouve-se uma Ave-Maria esganiçada, em voz quase gritada, que é um pedido de socorro.
As árvores a tudo observam como se perguntassem "que passa à essa gente?"
O brilho verde estonteante nas folhas da copa, destoa do cinza que margeia os corpos
Nada aqui lhes pertence, a não ser a solidão
Nenhum trapo, sapato, espaço particular, rastro de indivíduo
Tudo é público, o sofrimento, coletivo.
Os gritos se misturam, as dores se assemelham
As horas rastejam acompanhando o ritmo do caminhar
Sorrisos derretidos no cansaço que estampa a face
A vontade de sair dói o peito, mas a insegurança do estar do lado de fora também é imensa e dolorida.

Cá os medos humanos estão todos feito fratura exposta, ferida aberta.
Estão todos na mesma corda bamba.
Que será a lucidez e a loucura?
Essas coisas finas, delicadas, que se perdem e se encontram assim sem porquê.
O que coloca alguém um passo a frente da linha tênue onde uma começa e a outra termina?
Escancara fragilidades e em menos de um segundo, torna o ser perdido, ambulante, enfermo.

Aqui as esperanças são maltratadas e tratadas como mera ilusão. Só mais uma alucinação dentre as tantas outras que assombram e permeiam as almas confinadas.
Aqui os bons sentimentos receiam entrar.
Sobretudo porque precisam de transporte, e esse só se faz por intervenção humana.
E é difícil...

O vento que refresca também traz as lembranças de um outro tempo.
Se existiu de verdade, quem há de saber?!
Mas ainda há lembrança, os resquícios de uma vida em que muros não sufocavam e as camas não prendiam.
A água era mais fresca, as cores tinham sentido e até o sol era sentido mais acolhedor e quente.
Onde árvores admiravam a paisagem e dela eram parte, ao invés de questionar: "que passa a essa gente?".

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

É difícil ser protagonista

Trouxe para a minha vida como regra principal a seguinte meta: ser uma pessoa melhor. Isso não quer dizer que eu seja, mas eu tento, árdua e diariamente. Só que tem um probleminha nesta tarefa: as pessoas. Sou como o mocinho do filme que não cansa nunca de fazer a coisa certa e acabar levando a pior. Já repararam como a protagonista sofre a novela inteira? Pois é. Só no final é que eu vou ser recompensada. Por enquanto, vou levando uns tombos aqui e ali.
O prejuízo maior é a decepção. Essa coisa amarga que vai descendo pela garganta, dá um nó no pulmão e faz pesar o estômago. É dela que eu vim falar hoje.
Não é a primeira vez que me decepciono. Não é a primeira vez que choro ou que sinto vontade de esmurrar a cara de alguém e a minha própria, por ser tão boba. Estendi a mão mais uma vez e ao chegar ao topo, o vilão me empurrou, fazendo com que eu me esborrachasse lá em baixo. O caso é que desta vez eu me dei conta da quantidade de vezes em que isso aconteceu. Foram muitas. 
O mais triste é que ninguém me enganou. Eu vi uma pessoa com falhas, perdida e sozinha. Pensei que com os meus superpoderes conselhos poderia trazer algum benefício, uma ajuda, ou só um consolo. Bom, no final o meu empenho não serviu para absolutamente nada. Mais uma vez. Eu fui destruída por quem amei e tentei a todo custo auxiliar. Me doei, me expus, corri contra o tempo e amanheci em claro. E agora dói, a exposição se tornou ferida aberta, o tempo foi jogado fora e a insônia dos dias me tirou o que antes sustentava o corpo: a esperança.
Mas é só um desabafo. Esta febre do ódio, a raiva, o ressentimento, eu não quero nada disso. Quero esquecer da crueldade gratuita, quem triturou a mão que estendi. Porque eu só estou querendo ser uma pessoa melhor. E vou conseguir. Quer saber? Vou continuar acreditando nas pessoas. Vou ajudar quantos mais vierem me procurar. Vou ser passada pra trás, pisoteada e o escambau. Depois, vou chorar, ficar magoada, me sentir estúpida, traída, ingênua. Mas no fim das contas, quando tudo passar, vou estar feliz e tranquila. Porque fiz a minha parte. Porque não fui egoísta, oportunista ou má. Não vou trazer culpa e nem carregar bagagens ruins. Eu não vou ser quem maltratou. 
Quando a minha novela acabar o autor me escreverá um belo final. Vou me casar com o mocinho, vou ficar rica, quem sabe? Mas, principalmente: vou ter a tão sonhada paz.

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