quarta-feira, 9 de março de 2011

De mais ninguém

Marisa Monte
Se ela me deixou a dor,
É minha só, não é de mais ninguém
Aos outros eu devolvo a dó
Eu tenho a minha dor
Se ela preferiu ficar sozinha,
Ou já tem um outro bem
Se ela me deixou,
A dor é minha,
A dor é de quem tem...

É meu troféu, é o que restou
É o que me aquece sem me dar calor
Se eu não tenho o meu amor,
Eu tenho a minha dor
A sala, o quarto,
A casa está vazia,
A cozinha, o corredor.
Se nos meus braços,
Ela não se aninha,
A dor é minha, a dor.

Se ela me deixou a dor,
É minha só, não é de mais ninguém
Aos outros eu devolvo a dó
Eu tenho a minha dor
Se ela preferiu ficar sozinha,
Ou já tem um outro bem
Se ela me deixou,
A dor é minha,
A dor é de quem tem...

É o meu lençol, é o cobertor
É o que me aquece sem me dar calor
Se eu não tenho o meu amor,
Eu tenho a minha dor
A sala, o quarto,
A casa está vazia,
A cozinha, o corredor.
Se nos meus braços,
Ela não se aninha,
A dor é minha, a dor.
...
Eu não desisti de tentar ser feliz. Só cansei de lutar contra tudo o que eu sinto e trago aqui.
Percebi o quão errado é estar fisicamente em um lugar, mas com o coração voando bem longe.
É melhor estar e permanecer sozinha, até que isso diminua; pois sei que não passará como uma brisa leve de outono. Mas a dor ameniza aos poucos, eu sei que sim.
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''O prazer do amor é amar e sentirmo-nos mais felizes pela paixão que sentimos do que pela que inspiramos''.
(François La Rochefoucauld)

domingo, 6 de março de 2011

Every girl's dream

..
Toda garota sonha em encontrar seu príncipe encantado. Mesmo que algumas saiam por aí dizendo que isso é ridículo, elas guardam em seus corações um íntimo desejo de encontrá-lo.
Toda garota sonha.
Um alguém que a segure pela cintura. Que fale sobre tudo o que ela gosta.
Que diga como ela é linda, que mande mensagens falando de amor.
Que dê atenção, que escute e queira protegê-la.
Que mande flores e cartas.
Que goste do que ela é.
Que seja compreensivo e paciente.
Que não apenas sinta, mas demonstre.
Eu encontrei esse alguém, mesmo sem querer encontrar.
É angustiante ver suas palavras carregadas de piedade.
Perdi a conta de quantas vezes me perguntei porque precisa o amor ser tão injusto, desigual, unilateral e às vezes tão amargo.
Eu detesto sofrer, fazer sofrer e principalmente ver sofrendo quem eu faria de tudo para ver feliz.
Sinto a sua dor, e ela reflete em mim mais do que você possa imaginar.
É triste ter amizade de quem se quer amor, e amor de quem se espera amizade.
É desesperador chorar repetidas e incontáveis vezes com todos à sua volta lhe dizendo o quão tola você é.
E tola sei que sou, por odiar tanto essa sua pena; por sofrer em demasia ao te ver triste e mesmo assim, ainda assim, te amar.

A vida é mesmo um carnaval

Começa cheia de expectativas, preparativos, ansiedade.
Cada um escolhe uma fantasia, uma máscara pra se esconder, ou só pra ser alguém diferente do que realmente é.
Alguns corajosos saem as ruas de cara limpa, só pra curtir, e seja o que Deus quiser !
E tanta alegria, verdadeira ou fingida, sai por aí arrastando a tudo e a todos, até os que não querem dela participar.
Mas também há desgosto, conflito, erros, acidentes; tudo muito bem disfarçado na impecável propaganda carnavalesca. Nada pode sair do contexto; porém pelas frestas que escapam dá pra saber que nem tudo são flores, serpentinas e confetes.
Aos poucos muitos cansam, outros dizem que ainda há gás pra muito, ou pelo menos tentam parecer que são fortes o suficiente.
Alguns ficam pela janela olhando o movimento, amaldiçoando tanta festa, ou desejando intimamente estar ali no meio. Uns poderiam, outros não querem.
O princípio fundamental é passar impressões durante toda a folia. De que é feliz, de que detesta tudo isso, de que samba bem, de que está ali só de passagem.
No fim, já esgotados de tanta agitação, alguns procuram ver o que está atrás de cada fantansia. Procuram uma brecha no outro pra ver o que há além. A máscara de alguns cai, outras estão por um fio de cair. O que importa é manter a pose, até o último segundo.
Na quarta-feira de cinzas tudo se encerra. Agora não há mais como se esconder ou fugir. Risos e choros vão ficando pra trás, restam apenas na lembrança.
Você pode discordar, desacreditar. Mas pra mim, a vida toda é como um carnaval. E é você quem escolhe qual fantasia usar, e se vai usar. É você quem sabe se vai se juntar a multidão ou se verá tudo no conforto de um sofá, frente a tela fria de uma televisão.
Descobri com tristeza e insatisfação que o brilho de pessoas que outrora admirei era apenas o reflexo do brilho de outras; e talvez nem essas irradiavam um brilho próprio. Não fiz alarde, só me calei diante da farsa. Vou fingir não ver que as pessoas ainda insistem ser outras; ainda querem mostrar o que não tem, enaltecer o que não é seu por direito. Só pra provarem que são boas o suficiente, só para estar na moda, dentro dos padrões, mesmo dizendo o contrário, mesmo fazendo papel de idiota. Só pra ter status.
Que fiquem lamentavelmente repetindo o que nunca será seu.

sábado, 5 de março de 2011

Numa gaveta velha e cheia de mofo. Foi lá que eu guardei meu ser, ou pelo menos boa parte dele. Tive que apertar pra caber, mas coube. No fim das contas deixei nela meus medos mas também a minha coragem. Deixei minhas vontades, esperanças, palavras; meus gritos, minha apatia, a solidão e a saudade. Misturei o que era bom e ruim. Trancafiei a mais de sete chaves. O porquê eu ainda não sei dizer. Só sei que agora estou aqui, nem forte, nem frágil. Cantando versos que não fazem mais sentido. Superficialmente caminhando a passos largos atrás das tais chaves que trancam a gaveta mofada que guarda toda uma vida.

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