Envelheço mais rápido que o calendário, e assim fico preocupada com décadas passando em um ano
Tenho medo de morrer jovem.
Mas se acontecer terei sido feliz.
A maturação transcorrida nos anos vividos ao seu lado impressiona
Quase imperceptível
Fantasticamente notável
Já vinha acontecendo antes de ti, mas se acelerou
Agucei olhares e ouvido, espraiei o coração
Posso ter julgamentos e mágoas, confusões e falhas
Mas me tornei especialista da arte de não se permitir errar
E quero mudar isso.
Talvez este seja um sinal de evolução.
Evoluir é diferente de envelhecer
Estou velha mas não tão sábia
Pelo menos não tão leve quanto os sábios são.
Quando me deu um ombro pra chorar, abriram se as comportas dos meus medos, que vieram todos correndo para a sombra de sua proteção
Quando me deu permissão para errar me deu a ideia de protestar e a dúvida do que era erro e o que era acerto
Quando me deu coragem para acreditar que meu barco não era tão furado, eu pude navegar e sorrir pela primeira vez
Quando me deu seu coração, eu o eu segurei com toda a alma quando descobri que sabia amar, e que tinha uma força enorme aqui dentro guardada justamente pra isso.
Evoluir é diferente de envelhecer.
Doso a criança que habita meu peito mas desconfio ser atitude de gente velha
Mas, ah...
Eu tento.
Tento rejuvenescer ao seu lado
Pra não morrer tão jovem - nem temer a possibilidade.
terça-feira, 8 de março de 2016
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Deus
Quando eu era criança, minha avó me ensinou a não tolerar a imperfeição. Não sei se era exatamente essa a sua intenção, mas dentro da minha cabeça se firmou como mandamento: não errarás.
Isso, consequentemente, me levou ao seu antônimo. Aprendi a me esfolar, ao preço que fosse, em busca da perfeição. Seu significado, sua ira impetuosa, suas conjunções e desafios.
Nós duas, eu e minha avó, sofremos as dores de não sermos perfeitas. Ouvimos as cobranças, sentimos o peso de perseguir algo inalcançável sem, no entanto, questionar.
Não sei precisar se isto é um ataque a si mesmo, ou um mecanismo de defesa duvidoso porém inesperadamente eficaz. Talvez um pouco dos dois, para mim mais o segundo.
As pessoas desenham as coisas a seu modo, refazendo freneticamente o mundo com as cores que são capazes de lidar.
E então num Ser maior que si, muito maior, imputam suas maiores tragédias íntimas, insanidades ocultas e distorções de caráter.
Deus vem para salvar, castigar, mandar, zelar, até mesmo açoitar o mundo com raios. Cheio de ritos, controvérsias, incongruências, mal entendidos, soberania.
Raramente em nome da paz.
Estranho.
São dias tão imperfeitos, tempos tão nefastos, que uma de nós já sucumbiu e a outra está, mais uma vez, por um fio.
Continuamos nos agarrando ao nosso Deus, embora não nos permitam e nos julguem indignas de sua benevolência. Subvertemos. É patético.
Além do mais, estive pensando, pintar Deus como um ser que pune quem não O adora é dizer que Ele, contraditoriamente, é tão frágil quanto nós.
Pois acredito sermos tão falíveis justamente por não acreditarmos em nós mesmos. Por colocarmos a opinião de uma plateia voraz sempre antes e acima de tudo.
E punir quem não nos ama.
Quem não concorda com nossas ideias insanas de mundo.
De Deus.
Do que é ser feliz.
De perfeição.
Que o pedaço escuro do percurso seja breve.
Amém.
sábado, 9 de maio de 2015
Eu sei que é você
Uma borboleta azul, branca e preta caiu acidentada no meu quintal. Depois de aventuras e fortes emoções foi resgatada. Se abriu como uma flor e repousou na cadeira para descansar e se recuperar. Pude notar sua asa ferida, suspeitei que estivesse morta. Encarei-a por alguns segundos e ela bateu as asas para mim como se dissesse "estou bem". Sorri e a deixei em paz.
Depois de um longo período ela se levantou da cadeira e pousou no batente da porta, foi subindo devagar, decorando os riscos da madeira, conhecendo a casa. No fim da noite ela sumiu.
Saí de casa no dia seguinte e, quando voltei, lá estava ela na garagem. Provavelmente tentou ir embora mas não conseguiu. Mais um dia se passou e ela continua no mesmo lugar.
Seus olhos agora nada miram com certeza. Seu olhar é vago, transita entre o ontem e o agora. Você nos deu vários motivos para acreditar que aquela seria a última vez que a veríamos, no entanto, por alguma razão, nunca era.
Essa é a primeira vez que seu corpo não reluta mais. Que suas mãos não buscam a margem. Você permitiu que sua audição diminuísse, que se afastasse do mundo.
Agora vê seus antepassados mais perto, sente que ainda tem algo a resolver, mas está a cada dia menos teimosa. Seu coração começa a se acalmar e entrar em sintonia.
Eu sou a única com quem você ainda conversa. Sou o fio que te liga a este lado, sua conexão com suas preocupações e seu afeto.
Iremos, juntas e delicadamente, afrouxar nosso laço até que desate, por hora, e você possa sentir que pode adormecer.
Te levarei por onde eu andar.
Atenta às borboletas que você disse que seria.
Espero em paz o seu momento de alçar vôo.
E quando eu chorar será só saudade.
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Conto do absurdo
Não foi rápido, mas muita gente não teve tempo de perceber.
Ou não quis perceber enquanto ainda era tempo.
Depois de formar a bancada evangélica, alianças com a burguesia e a multiplicação acelerada de fiéis, o congresso foi tomado. A palavra laico foi até excluída do dicionário, por precaução, para prevenir que as futuras gerações sequer soubessem o que foi isso. Um exército foi criado.
Evidentemente, ateus, católicos, espíritas, umbandistas, e até alguns evangélicos lúcidos, tantos, muitos não aceitaram. Era tarde demais para querer qualquer coisa. Ela cresceu digna de um Megazord do Power Rangers. Montada de pernas de aço e um escudo que formava a palavra fé. Fé em quê? Ninguém sabia mais, mas era o que ditavam a televisão, os professores, as pessoas nos ônibus e padarias, se não se cumprimentassem com “a paz” haveria guerra, e das feias!
A população foi ficando cada vez mais assustada, havia medo de se declarar não-protestante, pois todos sabiam dos castigos e punições, das prisões por “evangélicofobia” e na intenção de se instaurar uma lei de queimada de bruxas em praça pública.
A Igreja Católica vendo aquilo enlouqueceu. Foi se deixar levar pelos anos e enfraquecer sua monarquia e agora assistia à tudo aquilo correndo de um lado para o outro, acuada e enfurecida.
Um dia marcaram um duelo no centro da capital do país. A beira de uma síncope gritou a indignada a plenos pulmões para a rival: “QUEM TE DEU AULAS NESSES ANOS?” E ela com supremacia e extrema satisfação respondeu: “Você! Nos livros de história!” e soltou uma gargalhada maligna e gélida, digna de um Mumm-Rá, Esqueleto, ou coisa que os valha.
Uma chacina sem tamanho se ocorreu daí. De um lado o desespero pelo rumo que as coisas haviam tomado, do outro a palavra de Jesus, a fé, os dez mandamentos, a Bíblia, os cânticos, a venda de indulgências, os jesuítas, a busca pela supremacia, a inquisição, a expansão territorial, o século XII... ... ... um momento.
Acho que me perdi na história.
Bem, o fato é que depois de fazer escorrer o sangue de toda a gente as duas explodiram num BUM!
E a Terra virou só silêncio e desolação.
Em nome de Jesus todos morreram sem sequer saber que ele lá em cima já tinha sofrido três infartos vendo tamanha insanidade.
Deus em seu lugar veio e juntou os pedacinhos da humanidade.
Fez uma prece silenciosa e disse:
Ou não quis perceber enquanto ainda era tempo.
Depois de formar a bancada evangélica, alianças com a burguesia e a multiplicação acelerada de fiéis, o congresso foi tomado. A palavra laico foi até excluída do dicionário, por precaução, para prevenir que as futuras gerações sequer soubessem o que foi isso. Um exército foi criado.
Evidentemente, ateus, católicos, espíritas, umbandistas, e até alguns evangélicos lúcidos, tantos, muitos não aceitaram. Era tarde demais para querer qualquer coisa. Ela cresceu digna de um Megazord do Power Rangers. Montada de pernas de aço e um escudo que formava a palavra fé. Fé em quê? Ninguém sabia mais, mas era o que ditavam a televisão, os professores, as pessoas nos ônibus e padarias, se não se cumprimentassem com “a paz” haveria guerra, e das feias!
A população foi ficando cada vez mais assustada, havia medo de se declarar não-protestante, pois todos sabiam dos castigos e punições, das prisões por “evangélicofobia” e na intenção de se instaurar uma lei de queimada de bruxas em praça pública.
A Igreja Católica vendo aquilo enlouqueceu. Foi se deixar levar pelos anos e enfraquecer sua monarquia e agora assistia à tudo aquilo correndo de um lado para o outro, acuada e enfurecida.
Um dia marcaram um duelo no centro da capital do país. A beira de uma síncope gritou a indignada a plenos pulmões para a rival: “QUEM TE DEU AULAS NESSES ANOS?” E ela com supremacia e extrema satisfação respondeu: “Você! Nos livros de história!” e soltou uma gargalhada maligna e gélida, digna de um Mumm-Rá, Esqueleto, ou coisa que os valha.
Uma chacina sem tamanho se ocorreu daí. De um lado o desespero pelo rumo que as coisas haviam tomado, do outro a palavra de Jesus, a fé, os dez mandamentos, a Bíblia, os cânticos, a venda de indulgências, os jesuítas, a busca pela supremacia, a inquisição, a expansão territorial, o século XII... ... ... um momento.
Acho que me perdi na história.
Bem, o fato é que depois de fazer escorrer o sangue de toda a gente as duas explodiram num BUM!
E a Terra virou só silêncio e desolação.
Em nome de Jesus todos morreram sem sequer saber que ele lá em cima já tinha sofrido três infartos vendo tamanha insanidade.
Deus em seu lugar veio e juntou os pedacinhos da humanidade.
Fez uma prece silenciosa e disse:
“Que vergonha vocês sempre me fazem passar!”.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Pra você
Olho em seus olhos por uma fração inacreditável de tempo, tão pequeno quanto sua pinta que adorna o rosto, e nesse instante sinto com toda a força como sou feliz em estar aqui, com você.
Vivemos já tanta coisa e eu guardo em mim tanto significado que já não é mais possível apagar seu nome da minha estrada.
Se a vida nos separasse, por algum desencontro ou infelicidade, sem pedir licença você continuaria sempre aqui. Compacta como és, caberia em qualquer canto, e por ser tão cheia de encanto, mesmo que por azar alguma mágoa houvesse ficado, suas marcas me impediriam de não amar você um pouco.
Te acho uma pessoa tão extraordinária que sei que em minha vida não haverá outro alguém igual. Nem se eu dissesse o contrário; jamais acreditaria em minhas próprias mentiras.
Pensei nisso hoje enquanto namorava o seu cabelo. Nesses segundos em que te olho e vago no teu vasto ser.
Você é tudo aquilo que me mantém próxima de mim, e eu gosto disso. Eu te amo como nunca achei que fosse capaz de amar. Com você há metamorfose, sou primitiva, sou luz, sou o que ninguém espera, sou eu e nenhum ponto a mais.
Te acho a pessoa mais bonita desse mundo, te admiro até sentir meu coração doer.
Te amar dói a dor de um parto. Daquela que se deseja, que explode em felicidade mas não deixa de ser aguda.
Nasce de mim uma emoção diferente a cada vez que ouço seu coração bater em meu ouvido.
Amar você foi e é, a coisa mais linda e mais difícil que já fiz.
Me sinto eufórica, na ponta do topo do mundo, prestes a transbordar, se você diz que sou capaz eu não duvido
Sinto que nasci pra te ver sendo feliz.
sábado, 20 de setembro de 2014
Flores de plástico
Quem quer ser flor de plástico pra se tornar imortal?
Deixar de ser, ver, ouvir e sentir pra viver imune à vida.
Que graça tem?
Vão-se as tristezas mas junto vai a alegria.
As dores de uma flor de pétalas e espinhos não existem, mas o brilho também não.
Todo rosto corado passa por um banho de lágrimas leitosas pra se hidratar. Sem a chuva preparatória o sorriso resseca no ardor do sol.
O beija-flor pode incomodar com carinhos roubados e inconvenientes mas quem trocaria sua beleza por um espanador de pó?
Flores de plástico acumulam poeira.
As outras se deixam voar junto com o vento.
Quem então escolheria ser flor de plástico pra ver o mundo passar da mesa de centro de uma sala vazia?
E eu respondo: muita gente.
Você certamente conhece, eu também, assim como já fui uma.
A gente acha que fugir da injeção é escapar da dor, e não percebe que assim se aproxima da doença. Troca a dor momentânea por uma maior.
Viver é a melhor maneira de aprender a viver. Encaremos a dor sentindo-a.
As flores de plástico são eternas. Porém solitárias em sua exclusiva existência que não ramificou.
Somos mortais, mas podemos dar frutos.
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
Tempo de chover
Nem sempre a gente quer alguém que nos console.
As pessoas tendem a acreditar que a atitude correta é enxugar avidamente as lágrimas do queixoso e dizer que no final tudo acaba bem, que todo mundo tem seus problemas e "bola pra frente".
Nem sempre.
Às vezes a gente simplesmente não está a fim de ser otimista. É necessário, e purificador, ter um espaço para tão somente desaguar.
Sem mais delongas e explicações, conformismos e frases de efeito.
Deixe que a minha mágoa escorra e corra livre pelos meus poros.
Que o meu cansaço seja escoado para que não me esgote.
Que seja sem jeito, irremediável, dolorido enquanto dure o infinito de uma crise. Uma seção de soluços, assoar de nariz e dor de cabeça.
Seguido de um suspiro e, só aí, o retorno à margem da razão.
Mas antes disso, por favor, deixe minha tristeza transbordar.
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Música: Morena
Já tenho algumas músicas de covers postadas no YouTube, mas essa, é minha. Minha cria, uma música que fiz e tenho muito carinho por ela pois é um marco do início da era da felicidade na minha vida. Pois bem, esta aí pra vocês. Em breve vou postar muitas outras, começando pelas já registradas... Hum... falei demais!
Conheçam o meu som, que diz muito sobre mim.
♡
segunda-feira, 16 de junho de 2014
O armário
Ele tem portas de vidro,
Porém mais frágil é meu coração.
Se eu assoprar nada acontece,
Mas uma palavra pode ser o fim
Ou o começo
Ou uma revolução.
Tem gente aqui dentro comigo
Tem gente lá fora gritando
E eu sei quem finge não existir.
Esse armário
Essa amarra
Esse amar
Esse ama
Ama ela
Ama sim.
Me dá a mão?
Não cumpra o que você promete a cada palavra chula
Apenas me ouça
Me ame
Me solte
Se desprenda
Aprenda comigo!
Me ensina mais sobre você
Me traz pra perto
Não quebra essa porta que ela é frágil
Porém não mais que meu coração
Abre com cuidado
Me deixa chorar
Me desagua
Aprende a gostar de mim
Assim
Assim.
Escuta meu coração
Escuta meu som
Coroa meu sim
Me tira da margem.
Se não der agora, eu espero
Saio devagar pra não doer tanto
Até o dia em que você quiser reler
E aceitar minhas linhas
E me dar a mão
A cabeça em pé.
Eu espero
Mas vou esperar vendo a luz do sol
Vou te mostrar que só é possível ser feliz
Sendo quem se é.
quinta-feira, 22 de maio de 2014
Reclamações e sessão da tarde
Ah, como a gente nada sem saber que o destino é encalhar. Já faz tempo que me encontro na areia, completamente paralisada, analisando minhas numerosas decisões a serem tomadas, dilemas, sonhos e viagens sem nexo. A areia é metafórica, pois, se eu estivesse mesmo na praia, pelo menos estaria penando ao sol. Mas não, tudo o que me cerca são paredes e pisos brancos que urgem serem limpos diariamente. E patas, dentes, pelos caninos indo na contramão - um capítulo à parte.
Até escrever tem me custado. Minha criatividade está abalada, meu desânimo em alta. O que dizer sobre escrever quando até ir à padaria me cansa.
Hoje é meu dia de reclamar, sim senhores, pois eu também tenho este direito. Afinal, este ciclo de "não faço nada porque não consigo e não consigo porque não faço nada" é de matar. Psicologicamente, fisicamente... Estou acabada. Nem meus planos absurdos estão dando conta... Terrível.
Fico procurando um canto, vendo filmes repetidos e evitando os livros. Me arrasto pra lá e pra cá tentando me convencer de algo - qualquer coisa - : sem êxito. Invento tiques, não produzo, imito, me desespero e logo em seguida me desmotivo. Vou pensando em fórmulas pra sair de vez desde labirinto e ao mesmo tempo me perguntando quanto tempo vai demorar.
Aí já quero ser criança outra vez.
Ou envelhecer no rg o que envelheci nas pernas e na cabeça. Assim, num plim! acordar depois de uma bela avançada no tempo.
Veja só que ideia de gente que não tem o que fazer.
E lá vou eu pro meu armário, repetindo "30 a idade do sucesso". Tudo o que cai na minha cabeça é uma montanha de poeira e o único acontecimento extraordinário é uma avalanche de espirros.
Continuo com 20, ferrada e sem perspectivas.
A vida não é sessão da tarde.
E, se fosse, o pó mágico me transformaria numa mulher de 30, ferrada e sem perspectiva.
Aposto.
Até escrever tem me custado. Minha criatividade está abalada, meu desânimo em alta. O que dizer sobre escrever quando até ir à padaria me cansa.
Hoje é meu dia de reclamar, sim senhores, pois eu também tenho este direito. Afinal, este ciclo de "não faço nada porque não consigo e não consigo porque não faço nada" é de matar. Psicologicamente, fisicamente... Estou acabada. Nem meus planos absurdos estão dando conta... Terrível.
Fico procurando um canto, vendo filmes repetidos e evitando os livros. Me arrasto pra lá e pra cá tentando me convencer de algo - qualquer coisa - : sem êxito. Invento tiques, não produzo, imito, me desespero e logo em seguida me desmotivo. Vou pensando em fórmulas pra sair de vez desde labirinto e ao mesmo tempo me perguntando quanto tempo vai demorar.
Aí já quero ser criança outra vez.
Ou envelhecer no rg o que envelheci nas pernas e na cabeça. Assim, num plim! acordar depois de uma bela avançada no tempo.
Veja só que ideia de gente que não tem o que fazer.
E lá vou eu pro meu armário, repetindo "30 a idade do sucesso". Tudo o que cai na minha cabeça é uma montanha de poeira e o único acontecimento extraordinário é uma avalanche de espirros.
Continuo com 20, ferrada e sem perspectivas.
A vida não é sessão da tarde.
E, se fosse, o pó mágico me transformaria numa mulher de 30, ferrada e sem perspectiva.
Aposto.
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Quando as luzes iluminaram o céu, me deixando boquiaberta, eu agradeci pelo ano que passou ter sido tão bom. Nem nos meus melhores sonhos eu poderia imaginar como seria... Antes de pedir que o ano que se inicia fosse tão bom quanto o que passou, eu procurei buscar na memória o diferencial que tinha feito desse 2013 tão especial. Cheguei a conclusão de que nada caiu do céu. Eu tive que me esforçar, fazer escolhas importantes, e seguir o meu coração. Abri mão de várias coisas para que pudessem vir outras. Mais verdadeiras, mais leves. Descobri que o que faço de melhor é ser exatamente quem eu sou.
Eu não me deixei abater. Levantei quantas vezes se fez necessário e sorri.
Sim, a vida me trouxe pessoas incríveis e momentos inesquecíveis mas se eu não tivesse aberto as portas para a novidade, poderia ter sido bem diferente. Eu poderia ter jogado tudo fora. E depois no fim resumir os 365 dias passados como ruins.
É por isso que não peço nada além de força e sabedoria. Para aguentar os trancos da vida e saber tomar decisões acertadas. E se errar, aprender, consertar.
Que venham muitos desafios, começos, tempestades e gargalhadas! Eu estarei sempre pronta.
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Eu sei que tenho essa coisa repetitiva de ficar te comparando com o mar. Mas é que ele sempre foi o que tiver de mais próximo da felicidade pura e genuína. Eu sentava na frente dele, olhava bem pro horizonte; até me sentir insignificante e absorvia toda aquela vibração contagiante. Era inundada de felicidade sem mais porquê.
Eu não sabia que era capaz de ver o mar em uma pessoa desta forma. Já comparei outras pessoas com certas características dele mas nenhuma era parecida em sua totalidade.
Olhando nos seus olhos eu posso ver o horizonte e me sentir insignificante e gigantesca ao mesmo tempo. Dormindo nos teus braços eu tenho o acolhimento do sol. Acordar e ter você ali, do meu lado, é a minha maresia. E eu conto aflita os dias pra voltar pras ruas com cheiro de sal. Pra colocar outra vez os pés na areia. Me deixar levar pelas ondas. Eu não vejo a hora de experimentar a viagem e me mudar de vez pro litoral. Num pra sempre convicto e de fato sem fim.
Sabe de uma coisa? Você não é só o mar, é a praia inteira. É o vendedor dos meus camarões. É o guarda sol. É a água gelada, o calor escaldante. É a solução da minha doença física. É o conforto da minha bagunça psíquica. Você é casas com portão de alumínio, biquíni, rosto queimado. Minha segurança, meu relaxo, a beleza estampada no meu rosto. Você é o dia de praia mais ensolarado de toda a minha vida. E nem que caia uma tempestade na minha festa -nem assim!- vou querer arredar o pé da sua beira.
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Eu era erro e depois virei dois.
Eu me tornei encontro. Me joguei no meu primeiro e único querer.
E agora pro mundo eu não sou nem eu e nem dois.
Eu sou covarde e guardo tudo pra mim.
Eu sou esconderijo. Errando por vício de errar. Me escondendo da vida.
Tramando não me estrepar demais.
Sempre tramando.
E me ferindo por não ser eu.
Nem eu nem nós.
Nem nós pra poder ser só eu.
Sendo só poeira.
Sendo previsível.
Insignificantemente óbvia.
Traiçoeiramente contada.
Como quem conta com o dinheiro que vai sobrar e ele não sobra. Como quem confia no marido e se fode. Sou contada por todos os lados.
E não dou no final do mês.
E traio a confiança da minha esposa.
Ilusão maldita de liberdade.
Açoites invisíveis de culpa.
Rasgando a carne até abrir a brecha pra ver meus erros.
Rir das minhas histórias.
Aquelas que ninguém ouve.
Todas das quais ninguém quer saber.
Por onde o encontro me encobriu, feito duro casco de tartaruga. Inquebrável.
Entalhado de tão bonito e que mesmo assim eu escondo por baixo da roupa.
Talvez por ser bem mais bonito que eu. Por ter tanto mais a contar.
Invejo o que me veste hoje porque nunca tive atenção pra minha própria roupagem.
De tão transparente que fui a vida inteira.
Ironia ser junção tão colorida e as vezes me sentir extremamente diminuta.
Vai saber que esquizofrenia é essa que me acompanha...
Eu me tornei encontro. Me joguei no meu primeiro e único querer.
E agora pro mundo eu não sou nem eu e nem dois.
Eu sou covarde e guardo tudo pra mim.
Eu sou esconderijo. Errando por vício de errar. Me escondendo da vida.
Tramando não me estrepar demais.
Sempre tramando.
E me ferindo por não ser eu.
Nem eu nem nós.
Nem nós pra poder ser só eu.
Sendo só poeira.
Sendo previsível.
Insignificantemente óbvia.
Traiçoeiramente contada.
Como quem conta com o dinheiro que vai sobrar e ele não sobra. Como quem confia no marido e se fode. Sou contada por todos os lados.
E não dou no final do mês.
E traio a confiança da minha esposa.
Ilusão maldita de liberdade.
Açoites invisíveis de culpa.
Rasgando a carne até abrir a brecha pra ver meus erros.
Rir das minhas histórias.
Aquelas que ninguém ouve.
Todas das quais ninguém quer saber.
Por onde o encontro me encobriu, feito duro casco de tartaruga. Inquebrável.
Entalhado de tão bonito e que mesmo assim eu escondo por baixo da roupa.
Talvez por ser bem mais bonito que eu. Por ter tanto mais a contar.
Invejo o que me veste hoje porque nunca tive atenção pra minha própria roupagem.
De tão transparente que fui a vida inteira.
Ironia ser junção tão colorida e as vezes me sentir extremamente diminuta.
Vai saber que esquizofrenia é essa que me acompanha...
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Dentro
Das paredes escorrem amarguras
O assoalho grita abandono
Bocas murmuram, pés se arrastam
As mãos movem-se a esmo, ou amparam a cabeça já pesada
Ouve-se uma Ave-Maria esganiçada, em voz quase gritada, que é um pedido de socorro.
As árvores a tudo observam como se perguntassem "que passa à essa gente?"
O brilho verde estonteante nas folhas da copa, destoa do cinza que margeia os corpos
Nada aqui lhes pertence, a não ser a solidão
Nenhum trapo, sapato, espaço particular, rastro de indivíduo
Tudo é público, o sofrimento, coletivo.
Os gritos se misturam, as dores se assemelham
As horas rastejam acompanhando o ritmo do caminhar
Sorrisos derretidos no cansaço que estampa a face
A vontade de sair dói o peito, mas a insegurança do estar do lado de fora também é imensa e dolorida.
Cá os medos humanos estão todos feito fratura exposta, ferida aberta.
Estão todos na mesma corda bamba.
Que será a lucidez e a loucura?
Essas coisas finas, delicadas, que se perdem e se encontram assim sem porquê.
O que coloca alguém um passo a frente da linha tênue onde uma começa e a outra termina?
Escancara fragilidades e em menos de um segundo, torna o ser perdido, ambulante, enfermo.
Aqui as esperanças são maltratadas e tratadas como mera ilusão. Só mais uma alucinação dentre as tantas outras que assombram e permeiam as almas confinadas.
Aqui os bons sentimentos receiam entrar.
Sobretudo porque precisam de transporte, e esse só se faz por intervenção humana.
E é difícil...
O vento que refresca também traz as lembranças de um outro tempo.
Se existiu de verdade, quem há de saber?!
Mas ainda há lembrança, os resquícios de uma vida em que muros não sufocavam e as camas não prendiam.
A água era mais fresca, as cores tinham sentido e até o sol era sentido mais acolhedor e quente.
Onde árvores admiravam a paisagem e dela eram parte, ao invés de questionar: "que passa a essa gente?".
O assoalho grita abandono
Bocas murmuram, pés se arrastam
As mãos movem-se a esmo, ou amparam a cabeça já pesada
Ouve-se uma Ave-Maria esganiçada, em voz quase gritada, que é um pedido de socorro.
As árvores a tudo observam como se perguntassem "que passa à essa gente?"
O brilho verde estonteante nas folhas da copa, destoa do cinza que margeia os corpos
Nada aqui lhes pertence, a não ser a solidão
Nenhum trapo, sapato, espaço particular, rastro de indivíduo
Tudo é público, o sofrimento, coletivo.
Os gritos se misturam, as dores se assemelham
As horas rastejam acompanhando o ritmo do caminhar
Sorrisos derretidos no cansaço que estampa a face
A vontade de sair dói o peito, mas a insegurança do estar do lado de fora também é imensa e dolorida.
Cá os medos humanos estão todos feito fratura exposta, ferida aberta.
Estão todos na mesma corda bamba.
Que será a lucidez e a loucura?
Essas coisas finas, delicadas, que se perdem e se encontram assim sem porquê.
O que coloca alguém um passo a frente da linha tênue onde uma começa e a outra termina?
Escancara fragilidades e em menos de um segundo, torna o ser perdido, ambulante, enfermo.
Aqui as esperanças são maltratadas e tratadas como mera ilusão. Só mais uma alucinação dentre as tantas outras que assombram e permeiam as almas confinadas.
Aqui os bons sentimentos receiam entrar.
Sobretudo porque precisam de transporte, e esse só se faz por intervenção humana.
E é difícil...
O vento que refresca também traz as lembranças de um outro tempo.
Se existiu de verdade, quem há de saber?!
Mas ainda há lembrança, os resquícios de uma vida em que muros não sufocavam e as camas não prendiam.
A água era mais fresca, as cores tinham sentido e até o sol era sentido mais acolhedor e quente.
Onde árvores admiravam a paisagem e dela eram parte, ao invés de questionar: "que passa a essa gente?".
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
É difícil ser protagonista
Trouxe para a minha vida como regra principal a seguinte meta: ser uma pessoa melhor. Isso não quer dizer que eu seja, mas eu tento, árdua e diariamente. Só que tem um probleminha nesta tarefa: as pessoas. Sou como o mocinho do filme que não cansa nunca de fazer a coisa certa e acabar levando a pior. Já repararam como a protagonista sofre a novela inteira? Pois é. Só no final é que eu vou ser recompensada. Por enquanto, vou levando uns tombos aqui e ali.
O prejuízo maior é a decepção. Essa coisa amarga que vai descendo pela garganta, dá um nó no pulmão e faz pesar o estômago. É dela que eu vim falar hoje.
Não é a primeira vez que me decepciono. Não é a primeira vez que choro ou que sinto vontade de esmurrar a cara de alguém e a minha própria, por ser tão boba. Estendi a mão mais uma vez e ao chegar ao topo, o vilão me empurrou, fazendo com que eu me esborrachasse lá em baixo. O caso é que desta vez eu me dei conta da quantidade de vezes em que isso aconteceu. Foram muitas.
O mais triste é que ninguém me enganou. Eu vi uma pessoa com falhas, perdida e sozinha. Pensei que com os meus superpoderes conselhos poderia trazer algum benefício, uma ajuda, ou só um consolo. Bom, no final o meu empenho não serviu para absolutamente nada. Mais uma vez. Eu fui destruída por quem amei e tentei a todo custo auxiliar. Me doei, me expus, corri contra o tempo e amanheci em claro. E agora dói, a exposição se tornou ferida aberta, o tempo foi jogado fora e a insônia dos dias me tirou o que antes sustentava o corpo: a esperança.
Mas é só um desabafo. Esta febre do ódio, a raiva, o ressentimento, eu não quero nada disso. Quero esquecer da crueldade gratuita, quem triturou a mão que estendi. Porque eu só estou querendo ser uma pessoa melhor. E vou conseguir. Quer saber? Vou continuar acreditando nas pessoas. Vou ajudar quantos mais vierem me procurar. Vou ser passada pra trás, pisoteada e o escambau. Depois, vou chorar, ficar magoada, me sentir estúpida, traída, ingênua. Mas no fim das contas, quando tudo passar, vou estar feliz e tranquila. Porque fiz a minha parte. Porque não fui egoísta, oportunista ou má. Não vou trazer culpa e nem carregar bagagens ruins. Eu não vou ser quem maltratou.
Quando a minha novela acabar o autor me escreverá um belo final. Vou me casar com o mocinho, vou ficar rica, quem sabe? Mas, principalmente: vou ter a tão sonhada paz.
quarta-feira, 31 de julho de 2013
ass: sentimental
Se me permite, tenho que palpitar sobre essa sua mania de
ser tão analítica. Não vive um só momento sem chegar ao meio com seus
questionamentos perturbando a minha diversão. Vive com um pé atrás, com medo de
se entregar... Eu não entendo. Também não sei como podemos viver dentro de um
mesmo corpo sendo você tão diferente. Chega a ser grossa. Não derrama uma
lágrima, não perde o fôlego, nem solta o riso.
Dura. Feito pedra ranzinza esquecida por todo mundo.
Dura. Feito pedra ranzinza esquecida por todo mundo.
Achei a definição perfeita pra você! Pedra! Aliás, que
função tem uma pedra? Entrar no sapato? Incomoda, atrapalha, obstrui. E se lançada
com muita força pode ferir. É desconfortável, não da pra apertar e ta sempre
com o mesmo jeito entediado e estático.
E é assim que você se comporta. Prática, observadora,
insensível e objetivamente chata.
Eu que sou romântica, fico espremida e só posso dar uma espiadela
no mundo nos seus acessos de criatividade. Porque aí pra você, nas suas
palavras, não soa tão patético. Mais arte do que sentimento.
Fico louca e quase sufocada pra poder dizer certas coisas,
demonstrar o que sinto e o que penso, e o máximo que consigo é um poema, uma
música. E aí a insuportável faz o quê? Esconde das pessoas! Não é mole...
Às vezes você me deixa ouvir músicas que falam de amor. Às
vezes posso ver filmes de romance. Mas se me distraio te vejo mostrando a
língua ou torcendo o nariz pra certas declarações. Eu gosto. Você detesta.
Paciência...
Uma coisa eu tenho como trunfo: você é terrivelmente
esquecida! Se perde no meio de nós e esquece de controlar tudo... E aí eu me
divirto! Fico cantarolando, danço no meio da rua e gargalho alto. Quando você
percebe já é tarde demais...
Nessa constante troca de dividir as rédeas da nossa vida,
seguimos confundindo o que e quem nos cerca. Pra nossa sorte, achamos alguém
que se diverte e ama todos os primas desse inteiro. E ela é assunto que causa unanimidade
por estes corredores bagunçados.
Nisso nós concordamos: que sorte...
Nisso nós concordamos: que sorte...
domingo, 28 de julho de 2013
Ponte
Chega um dia em que a gente deixa de rir por qualquer coisa. Uma dança desengonçada, um palhaço que mais cai do que anda e sons esquisitos não nos arrancam mais sorrisos.
Deixamos de ver magia em pessoas fantasiadas, material reciclável não mais nos distrai e os desenhos animados não são tão interessantes.
Queria saber qual o exato momento em que começamos a nos enxergar. Sim porque, quando somos crianças, a alma está dentro do corpo e não se vê. Fazemos caretas, choramos escandalosamente e nos sujamos completamente. Sem nos importarmos com o local, as pessoas, com o que vão pensar...
Entramos num restaurante de luxo cobertos de barro sem o menor problema.
Somos escancaradamente felizes, sem pensar com que cara essa felicidade irá nos deixar.
Queria saber quando é que a gente deixa de correr sorrindo.
Quando para de abraçar os familiares sem motivo.
Quando não mais sorri ao se olhar no espelho.
A linha tênue entre:
- Só mais um pouquinho?
e
- Estou atrasado.
Deixamos de ver magia em pessoas fantasiadas, material reciclável não mais nos distrai e os desenhos animados não são tão interessantes.
Queria saber qual o exato momento em que começamos a nos enxergar. Sim porque, quando somos crianças, a alma está dentro do corpo e não se vê. Fazemos caretas, choramos escandalosamente e nos sujamos completamente. Sem nos importarmos com o local, as pessoas, com o que vão pensar...
Entramos num restaurante de luxo cobertos de barro sem o menor problema.
Somos escancaradamente felizes, sem pensar com que cara essa felicidade irá nos deixar.
Queria saber quando é que a gente deixa de correr sorrindo.
Quando para de abraçar os familiares sem motivo.
Quando não mais sorri ao se olhar no espelho.
A linha tênue entre:
- Só mais um pouquinho?
e
- Estou atrasado.
Olho
Uns dizem que sou o cão chupando manga.
Outros, um copo de suco de manga gelado em um dia ensolarado.
Pra uma parte sou a inconveniente manga comprida no verão.
Pra outra, a própria sombra da mangueira.
O que eu sou ninguém sabe.
Apenas uma conclusão:
O que determina é o olho que vê.
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